Planejamento escolar: 6 passos para sua escola ter sucesso

Tempo de leitura: 19 minutos

Todo começo de ano a preocupação principal dos diretores de escola é a mesma: o planejamento escolar. Um barco sem rumo não chega a lugar nenhum. Na escola, o planejamento é o responsável por nortear as ações de todos os envolvidos para que os objetivos sejam alcançados.

Uma boa gestão escolar tem, como seu maior objetivo, proporcionar uma ótima qualidade de ensino aos seus alunos, levando-os a aprenderem não somente os conteúdos didáticos, mas a se tornarem melhores cidadãos para este mundo. O planejamento escolar tem o objetivo de colaborar na conquista desse objetivo.

Mas como ter certeza de que você está fazendo um bom planejamento? Este post ajudará você a entender melhor o que é um planejamento escolar e a conhecer 6 passos para fazê-lo de forma eficiente e, consequentemente, obter excelentes resultados em sua escola. Se você está em busca do sucesso, não deixe de ler até o final!

Planejamento escolar

O que é o planejamento escolar?

É comum que algumas pessoas confundem o Projeto Político Pedagógico (PPP) com o Planejamento Escolar, por acharem que se trata da mesma coisa — o que não é verdade. Por isso, para iniciar uma etapa de planejamento escolar, é preciso entender suas peculiaridades e finalidade.

O PPP é uma ferramenta de planejamento e avaliação que deve ser usada como uma espécie de guia cada vez que uma decisão precisa ser tomada. Embora ele também deva ser elaborado com o auxílio de toda a comunidade escolar, ele é mais complexo do que o planejamento. Nele, constam aspectos como:

  • a missão, visão e valores da escola — juntos, eles formam a identidade da escola: determinam qual é o propósito da instituição e quais são suas aspirações e suas crenças;
  • a clientela — qual o público-alvo a quem se dirigem os seus serviços;
  • os recursos — de onde virão os recursos financeiros necessários para a escola e como eles serão empregados;
  • as diretrizes pedagógicas — qual será o currículo escolar a ser lecionado, os materiais didáticos a serem usados, a metodologia utilizada, as metas de aprendizagem a serem alcançadas, etc;
  • planos de ação — nele contém os objetivos, as ações a serem feitas, os responsáveis por cada uma das ações e os seus prazos de execução.

Já o planejamento escolar elaborado a cada ano é mais objetivo e específico ao que se refere a parte pedagógica da escola. É nele que constam:

  • os projetos e programas pedagógicos que serão realizados durante o ano letivo;
  • o calendário escolar;
  • os horários das aulas de cada professor;
  • a formação das turmas;
  • conteúdos extras que serão relevantes para aquela escola em questão;
  • determinação de qual bimestre cada conteúdo será lecionado;
  • e outros detalhes necessários para o bom andamento das atividades escolares.

Ele funcionará como uma referência para ser consultada durante o ano e após a realização das atividades, para que seja feita uma avaliação das mesmas. Além disso, ele também servirá como fonte de pesquisa na hora de fazer o planejamento escolar dos anos seguintes, pois nele estarão registrados o que deu certo e o que deu errado naquele ano.

É sempre bom lembrar que nem um, nem outro, deve ser considerado fixo e imutável. Eles não podem ser esquecidos no fundo de uma gaveta e ambos devem ser periodicamente revisados e, em caso de necessidade, podem — e devem — ser alterados.

Quem é responsável por fazer o planejamento escolar?

Engana-se quem pensa que o gestor escolar é o único responsável pelo desenvolvimento do planejamento. É claro que ele é um dos principais envolvidos, afinal, é função dele coordenar todas as engrenagens da “máquina” a fim de que ela tenha um bom funcionamento.

Entretanto, um dos segredos para se obter um bom planejamento escolar é a participação de todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Os maiores colaboradores são os professores, já que são eles que melhor conhecem o dia a dia dos alunos e quais são suas necessidades reais.

Essa também é a hora de ouvir o que os outros envolvidos nesse processo têm a dizer. É a vez de dar voz ao conselho de pais, aos representantes de alunos, aos demais educadores e aos representantes da comunidade em que a escola está inserida.

Essa aproximação entre família e escola traz grandes benefícios para o aprendizado dos alunos. Pode parecer muita gente, mas é justamente essa diversidade de olhares e opiniões que enriquecerão as discussões e o planejamento.

Quando ele deve ser feito?

O planejamento escolar é feito no começo do ano, antes do início das aulas. Geralmente, o diretor da escola marca uma “semana pedagógica” e, durante essa semana, muitas coisas serão discutidas e decididas.

Porém, no decorrer do ano, possivelmente acontecerão imprevistos ou dificuldades que atrapalharão a execução de tudo o que foi planejado. O gestor deve promover reuniões durante o ano para reavaliar e fazer as alterações que forem necessárias no planejamento.

Quais dicas podem ajudar na elaboração de um bom planejamento?

É no planejamento que estarão definidos os objetivos que se deseja alcançar ao final do ano letivo e quais ações serão necessárias para que ele seja atingido. Nele, devem estar todas metas, prazos, bem como os responsáveis por cada ação, de modo que cada um esteja consciente de suas funções e obrigações para a sua execução .

Você conhecerá agora algumas dicas que o ajudarão a elaborar um planejamento que seja objetivo e eficaz.

1. Analise dados

Essa é uma das partes mais importantes do planejamento. É por meio da análise dos indicadores de qualidade que poderá se ter uma ideia de quais ações estão funcionando e o que não está dando tão certo assim.

De nada adianta o planejamento e a execução de planos se, depois deles, não for feita uma avaliação que demonstre se seus resultados foram bons ou ruins. Nem sempre o que foi planejado tem o resultado esperado.

É nessa análise de dados que deve se basear a decisão em manter algumas ações e trocar outras. Mais uma vez, destacamos a importância dos vários olhares para que essa análise não seja baseada na opinião de apenas uma das partes envolvidas.

Esses dados devem ser coletados de várias formas diferentes ao longo do ano. O importante é que isso seja feito constantemente, e não em um único momento. Podem ser coletados por meio de observações, questionários ou entrevistas.

O coordenador pedagógico ou um outro educador pode observar a participação dos alunos em aulas ou atividades extraclasse, ou mesmo o comportamento dos alunos nas horas do intervalo, entrada e saída. Essa observação colabora, por exemplo, na identificação de casos de bullying que possam ocorrer a fim de que uma ação seja proposta para seu combate.

Os questionários podem ser feitos com alunos maiores para que eles expressem sua opinião sobre vários aspectos da escola. Podem ser feitas perguntas sobre os métodos de ensino usados durante as aulas e a atuação dos professores, e até temas como estrutura física do ambiente, os equipamentos ou a limpeza da escola.

Ao sentir que sua opinião está sendo levada em conta, o aluno se sente importante para a escola, fica satisfeito e quer continuar nela. Muitos gestores erram ao se preocuparem demais com a captação de novos alunos, mas esquecem que trabalhar no engajamento de alunos já matriculados é uma tarefa desafiadora que exige o mesmo nível de cuidado e esforço.

Também pode-se enviar questionários aos pais para, assim, saber como eles estão vendo ou sentindo o trabalho que está sendo realizado. Essa pesquisa de satisfação com pais e alunos é muito importante para ter certeza de que o serviço prestado está agradando. Dessa forma, será possível evitar a evasão de alunos.

As entrevistas podem ser feitas com ex-alunos que, por já terem se formado e não fazerem mais parte da escola, costumam se sentir mais à vontade para dar suas opiniões. Eles podem ter valiosas observações a fazerem.

Essas avaliações podem ser feitas de forma individual ou em pequenos grupos, com apenas algumas classes ou séries, ou com a escola inteira. Só é preciso tomar cuidado para não acabar com um excesso de dados nas mãos e não conseguir analisar nenhum deles.

2. Proponha melhorias

Com a análise dos dados em mãos, fica mais fácil reconhecer o que precisa ser melhorado. Essa é a hora de propor reformas no prédio da escola, a troca de material didático, a inserção de novas metodologias de ensino, a aquisição de equipamentos e a introdução da tecnologia no cotidiano escolar. Tudo visando melhorar a qualidade de ensino oferecida aos alunos.

Aqui entra a sugestão de programas de reforço escolar e projetos a serem feitos por uma determinada série ou pela escola toda. Por exemplo, se foi observado um grande consumo de água, fazer um bom projeto sobre como economizar água, envolvendo todos os alunos e adequando-o a cada faixa etária ou série, pode ser uma boa ideia.

3. Faça um cronograma

A parte da elaboração do calendário escolar começa bem antes da semana pedagógica do início do ano. Por questões burocráticas, ele deve ser entregue à Diretoria de Ensino no final do ano anterior.

Nele, deve conter a data do início do ano letivo, quantos e quais dias serão considerados como letivos, os feriados e recessos, as festas e comemorações que serão consideradas como dia letivo e as datas das reuniões de formação com os professores.

Junto a ele, também deve ser entregue a matriz curricular contendo a carga horária que cada matéria terá durante o ano e quais serão os conteúdos lecionados. Não esqueça de que cada disciplina tem uma carga horária mínima obrigatória por lei.

Toda essa parte do planejamento escolar costuma ser trabalho do coordenador e do diretor, mas, nada impede que seja feita uma reunião com a participação de todos. Isso torna possível que apareçam ideias e seja montado um calendário no qual não haja arrependimentos por ter se esquecido de algum detalhe importante.

Uma vez que já se tenha em mãos as datas de início das aulas, os feriados, recessos e a definição dos, no mínimo, 200 dias letivos, é necessário complementar esse calendário com algumas outras informações necessárias para a organização das atividades.

Durante o planejamento escolar, serão definidas os temas e como será a realização das comemorações festivas da escola e os períodos de avaliações mensais, bimestrais ou trimestrais dos alunos. Também já deverão ser estabelecidas as datas de reuniões de pais. Cabe aqui, já coletar algumas sugestões de temas para as reuniões de formação continuada que serão realizadas.

As reuniões entre coordenação, direção e docentes são de extrema importância para que seja dado a eles um feedback sobre o que está acontecendo, e para que haja uma troca de ideias e experiências entre os professores.

Também deve ocorrer a definição da grade de horários das aulas de acordo com a disponibilidade dos professores, e quando cada conteúdo deverá ser lecionado. Com essa definição, pode-se estabelecer em que período do ano um projeto será mais adequado, já marcando sua data de início e fim, e as turmas ou disciplinas que serão envolvidas nele.

Os educadores não precisam se limitar aos conteúdos curriculares que são previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Considerando todo o Projeto Político Pedagógico da instituição de ensino, o que se pretende e a realidade da comunidade em que a escola está inserida, outros conteúdos importantes podem ser sugeridos no planejamento escolar.

4. Implemente novas tecnologias

Estamos vivendo em um mundo movido pela tecnologia, e deixar a escola fora desse universo é um grande erro. Não dá mais para ter as mesmas atitudes do século passado. Toda a gestão escolar pode se beneficiar se um bom sistema escolar online for adotado.

Essas plataformas de gestão podem colaborar com a gestão pedagógica da escola, pois fornecem ferramentas como o diário escolar digital, facilitando a vida dos professores. Outra vantagem é que os pais têm acesso ao conteúdo lecionado. Em caso de falta do aluno, ele já sabe a matéria que perdeu e terá que estudar.

Sabemos que muitos pais até gostariam, mas não têm tempo de participar de todos os momentos escolares necessários. O boletim escolar online, com o registro de presença e de todas as notas dos alunos, também é uma ferramenta muito útil, pois permite que eles possam ter esse acompanhamento escolar de seus filhos.

A gestão financeira é outro setor da escola que muito se beneficia com a adoção de um software de gestão. Ela engloba muitos detalhes da gestão escolar, entre eles, a emissão dos boletos para pagamento das mensalidades que passam a ser digitais, evitando o gasto com materiais.

Outro ponto bastante delicado é a inadimplência escolar e o sistema de cobrança. Com a possibilidade de estar em contato direto com os pais ou responsáveis, fica mais fácil resolver tais problemas. Ele colabora na organização das informações de modo que o gestor possa concentrar seu tempo e esforços em outras áreas que realmente necessitem de sua atenção.

Para a secretaria da escola, um sistema de gestão online facilita o processo de arquivamento de documentos e diminui o tempo de emissão. Assim, é possível controlar e acompanhar todo tramite em tempo real.

Esse tipo de sistema online fornece relatórios gerenciais que diminuem o tempo gasto com a sua elaboração, simplificam a análise e mensuração dos dados e permitem uma visão ampla de todos os setores da escola, otimizando todos os processos educacionais.

A tecnologia pode estar presente também na sala de aula. Nossos alunos são nativos digitais, porém, muitas vezes eles não sabem como utilizá-la de forma correta ou útil, principalmente no que se refere ao aprendizado.

É função da escola orientar os estudantes sobre como utilizar as ferramentas tecnológicas em seus estudos. Se a escola puder contar com a presença de um laboratório de informática, ou tablets para os alunos, melhor.

O importante é que, ao optar pelo uso de uma plataforma de gestão online, ou mesmo pelo uso de ferramentas tecnológicas em sala de aula, o diretor se preocupe em oferecer a capacitação necessária para todos os envolvidos que usarão o sistema ou as tecnologias.

5. Tenha metas alcançáveis

Precisamos ter em mente que as metas que serão estabelecidas no planejamento têm de ser metas que, de fato, possam ser alcançadas pela equipe escolar.

Não adianta o planejamento escolar ser perfeito e metade das metas não serem cumpridas porque faltam tempo, dinheiro, ou pessoas responsáveis para sua realização. Elas devem ser claras, mensuráveis, possíveis de serem analisadas e devem ter um prazo estabelecido para sua execução, para que não se percam pelo meio do caminho.

Se uma de suas metas for de longo prazo, como aumentar a nota de aprovação dos alunos no Enem, devem ser estabelecidas submetas a serem atingidas durante o ano, que demonstrem se o objetivo final provavelmente será alcançado ou não. Acompanhando esse exemplo, uma submeta seria aumentar a participação dos alunos e suas notas nos simulados aplicados pela instituição.

6. Delegue responsabilidades

Mesmo que o diretor da escola queira, é bastante improvável que ele consiga, sozinho, desenvolver todas as suas funções e ainda acompanhar o planejamento para ter certeza de que tudo está saindo de acordo com o que foi programado no início do ano.

Quando falamos em delegar responsabilidades não queremos dizer que o diretor não tem mais nada a ver com o assunto, mas que, às vezes, é necessário descentralizar a administração da escola e confiar atividades a outros membros. É permitir que outra pessoa tenha a função de acompanhar o planejamento e mantenha o gestor a par de tudo o que está acontecendo.

Nesse sentido, muitas escolas têm adotado a figura do supervisor escolar que tem o papel de coordenar e monitorar as atividades que foram estabelecidas no planejamento, entre outras funções. Ele é uma espécie de braço direito do gestor.

Por que é importante fazer um planejamento escolar?

O planejamento escolar é essencial para que a escola obtenha bons resultados. É um momento em que se deve repensar a escola e o que ela pretende. Ele tem a finalidade de garantir que o aluno tenha um aprendizado de qualidade.

Lembra no começo do texto que dissemos que um barco sem rumo não chega a lugar nenhum? Pois o planejamento é que dará o rumo a esse barco chamado escola, atravessando tempestades, realinhando a rota e garantindo que se chegue ao porto em segurança.

Ele organiza e transforma as ideias discutidas em realidade. Conhecendo o planejamento e quais objetivos devem ser alcançados ao final do ano, fica mais fácil para que cada membro da equipe escolar direcione seu próprio trabalho para que ele seja atingido.

Para os professores, ele diminui o tempo gasto com os planos de aula. No caso de se ter mais de um professor lecionando a mesma disciplina para a mesma série, ele organiza o conteúdo de forma que as turmas andem, dentro do possível, no mesmo ritmo.

Todos os resultados obtidos devem ser registrados no planejamento durante o ano para que, ao consultá-lo na hora de fazer o planejamento para o ano seguinte, fique bem claro as ações que devem ser alteradas e as que devem ser replicadas.

Ele influencia também, na formação continuada de todos os educadores. O coordenador ou diretor pode, ao acompanhar o que foi proposto no planejamento, perceber que uma capacitação seja necessária em determinado setor da escola e, de imediato, providenciá-la.

Enfim, um bom planejamento começa com a análise dos dados obtidos a partir do planejamento do ano anterior, verificando-se o que trouxe benefícios para a escola e o que precisa ser alterado. Depois, deve-se reunir as propostas e ideias para o novo ano, decidir se elas são possíveis de serem realizadas e organizá-las dentro de um cronograma.

Fazer um bom planejamento escolar é garantir que todo o trabalho a ser realizado na sua escola durante aquele ano letivo está organizado e corre em direção a um mesmo objetivo. Somente assim, todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, pais, alunos, comunidade, professores e demais educadores, se sentirão parte importante desse processo e assumirão suas responsabilidades nele.

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